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Como é o circuito de shows para um projeto instrumental iniciante?

Kiko Horta é acordeonista, pianista e compositor e agora um de nossos curadores. Ele fez para o site do Dia da Música um ótimo guia para um projeto instrumental iniciante e quais casas e festivais se interessam por esse tipo de som.

Para um projeto instrumental iniciante, é sempre interessante estar ligado a alguma casa ou espaço cultural que possa acolher adequadamente a proposta. Se o espaço fizer parte da cena de música instrumental da cidade melhor ainda. Lugares onde os músicos gostam de tocar e ouvir música são infalíveis.

Outra alternativa mais trabalhosa, mas que pode render ótimos frutos, é inventar um novo espaço para que o projeto possa se desenvolver sem amarras, possibilitando também a chegada de outros trabalhos novos e de qualidade. Para as cidades brasileiras,geralmente carentes de espaços interessantes para tocar, é uma iniciativa de extrema importância.

Vivi uma experiência assim em 2008, ao criar o projeto Forró do Mercado, no Rio de Janeiro. O local escolhido foi uma casa no Centro da cidade, gerida por uma Cooperativa de Artistas. A casa Mercado 45 também recebia apresentações de Teatro, Circo, ensaios da Orquestra de Rua do Cordão do Boitatá, entre outros projetos.

Neste espaço não havia nenhuma estrutura convencional para música – era composto apenas pelo telhado, um mezanino, a fachada antiga da casa e uma acústica natural muito boa. Foi o palco perfeito para o desenvolvimento de um som novo e uma cena musical interessante, pois o público adorou a ideia, o que acabou potencializando novas iniciativas.

Cito também outra iniciativa independente que participei: a criação do Baile Multicultural do Cordão do Boitatá, um evento que acontece em plena Praça XV (local marcante para a história da cidade do Rio de Janeiro), sempre no Domingo de Carnaval. No primeiroano, dispúnhamos apenas de 5 mil reais para o aluguel do som - cedidos pela Cooperativa dos Artistas - e nada mais. O ator, articulador cultural e diretor da Fundição Progresso, Perfeito Fortuna, nos emprestou pequenos tablados de madeira para montarmos um palco de menos de 1 metro de altura. Desta forma totalmente improvisada, o Boitatá realizou seu primeiro show de música dentro do Carnaval carioca.

Atualmente o Baile Multicultural recebe mais de 50 mil pessoas para assistir um show com seis horas de duração e participações de grandes artistas de diversas vertentes da música, tanto brasileira quanto internacional, como Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, Jongo da Serrinha, Martinho da Vila, Teresa Cristina, Roberta Sá, Mariana Baltar, Áurea Martins, Pedro Miranda, Keziah Jones e Nneka (Nigéria), entre tantos outros. O caráter de cooperação e algumas dificuldades não desapareceram, mas conseguimos criar um palco com um formato inédito, com liberdade artística, de grande importância para o Carnaval da cidade e sua cultura musical.

É muito importante ficar ligado nos Editais de Fomento à Cultura e tentar participar dos principais Circuitos e Festivais do país como:

- Circuito Sesc;
- Festival Nacional de Choro, Festival do Vale do Café, Festival Villa-Lobos (todos no Rio de Janeiro);
- Festa da Música em Belo Horizonte;
- Mimo (Olinda-PE);
- Espaços Culturais do BNDES;
- Festival de Choro Jazz de Jericoacoara (CE);
- Clube do Choro de Brasília.
- No Rio, destaco os seguintes espaços: Semente e Triboz na Lapa, a recém inaugurada Casa do Choro e o Centro Cultural Carioca na Praça Tiradentes e Oi Futuro, em Ipanema.

Se você é músico e quer tocar na rua, num bar, teatro ou em algum dos outros locais abertos para shows, inscreva-se até dia 30/04. Mais detalhes em http://bit.ly/diadamusica_cadastrobandas

Se você tem um bar ou espaço cultural e deseja receber um show, inscreva-se até 5/05. Mais detalhes em http://bit.ly/diadamusica_cadastrolocais

Kiko Horta conta porque a música é importante para ele:

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